Mostrando postagens com marcador contos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador contos. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de dezembro de 2015

Rotina



Ela estava na pausa do trabalho, mexendo no celular pela enésima vez, mesmo sabendo que não havia nada de novo para ver. Tenho que parar com esse vício, ela pensou. Mas a vida é tão vazia, às vezes, que acabava recorrendo às redes sociais para preencher esse vazio.

Uma piada, uma charge, uma música, até mesmo uma reclamação sobre a política do país a ajudavam a se distrair dos próprios problemas. E, mais uma vez, ela era arrastada de volta à rotina. Tarefa após tarefa; tudo feito automaticamente, o pensamento fixo na ideia de que não podia esperar para sair do trabalho e... fazer nada.

O dia começa de novo, mesma rotina, mesmas distrações. Um convite inesperado surge. Vamos para um barzinho com o pessoal no fim do expediente, quer vir também? Era aquela mulher do RH cujo nome ela nunca lembrava, mas que sempre a cumprimentava ao passar. Que mal pode ter?, pensou. E aceitou.

Chegando ao barzinho, todos pediram uma bebida, inclusive ela; um vinho, precisava de algo forte, pois a semana havia sido estressante. Sua mão começou a procurar pelo celular, pois não lhe ocorria nenhum assunto para iniciar uma conversa, mas parou. Estou em uma reunião social, não preciso do celular para criar uma bolha de isolamento.

Ao levantar o olhar, percebeu que todos os rostos de seus colegas estavam com uma luz azulada. Todos grudados no celular. Suas vidas sendo deixadas de lado através daquela tela minúscula e dos movimentos frenéticos dos dedos das mãos. Bom saber que não sou a única.

Nathaly M.
06/12/2015

domingo, 4 de outubro de 2015

Para o inferno com as estatísticas!

     - Esse filme é uma merda!
     - De onde você tirou essa ideia Vanessa?
     Será que ele sabia que não era do filme que ela estava falando? Bem, sabendo ou não, a discussão continuou:
     - É óbvio que esse filme é péssimo, Fabrício! Ou você realmente acha que as relações hoje em dia são assim?
     - Sim, eu acho! Não entendo como você consegue ser tão fria a ponto de não aceitar que existam relacionamentos significativos.
    O filme em questão era sobre um casal que, de início, não se dava bem e, com o tempo, se conheceram melhor, culminando em uma relação significativa, com direito a expressão sincera dos sentimentos de um para o outro. Ou seja, uma comédia romântica.
     E era exatamente isso que Vanessa não conseguia entender. Como, em qualquer cenário possível, isso poderia funcionar? Talvez ela não entendesse porque as estatísticas baseadas em sua própria experiência demonstravam o contrário. A quantidade de relacionamentos que ela vira falhar, tanto dela quanto de conhecidos, era absurda!
     Fabrício era o oposto do ser masculino atual: ele acreditava em romances. E daí que o casal do filme não se desse bem no início? Por que raios isso impediria uma futura felicidade? Ele simplesmente não entendia o pessimismo de Vanessa quanto ao amor.
    Os dois eram amigos de infância. Estudaram juntos, porém foram para áreas diferentes na faculdade; mas mantiveram contato. Ele de humanas, ela de exatas. Acho que o leitor já imagina o resultado dessa mistura não é?
      Ela desligou a TV e foi lavar a louça na cozinha, ainda irritada. Ele ficou na sala, pensando que se, de alguma forma, pudesse convencê-la a entender e aceitar que duas pessoas tão diferentes quanto os personagens do filme... Vamos falar sério agora; duas pessoas tão diferentes quanto eles dois, pudessem ter um relacionamento, talvez ele conseguisse fazer com que ela o visse diferente. Não com os óculos da friendzone.
     Vanessa esfregava o prato com tanta raiva que havia espuma cobrindo toda a pia. Mas será que o Fabrício é tão bobo quanto era quando criança? Eu o chama para ver um filme. Daqueles aos quais não há necessidade de se prestar atenção, porque qualquer idiota já sabe o final; e ele simplesmente resolve discutir a dialética do romance em vez de notar que estou bem ao seu lado, totalmente produzida para um cinema em casa que, claramente, era um pretexto para ficarmos a sós!


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Bloody Jill


   Jill is a wonderful girl. I mean, really, wonderful! She is the most perfect human been in the whole world. She has the highest scores on class, she is the prettier of the campus. She even does charity! But, as we all know, nobody is so perfectly made that doesn't have any secret.
  
 The reason for this incredible perfection is uncover the fact that Jill - who would thought about it? - is a psychopath. That's right. She doesn't feel anything: pity, sadness, happiness, love... This woman just does everything mechanically  planed for everybody think she is normal. 

http://katjafaith.deviantart.com/art/Psycho-123985549


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Mamorras de um bardo

http://pf1090.deviantart.com/art/Red-rose-43197992


      Passeando em meu cavalo, pelas colinas de Cornéia, vi uma rosa na entrada de um pântano! Tenebroso como as masmorras de um castelo abandonado.
Esta rosa brilhava como ouro maciço, retirado das rochas de Mamoroth. Sua beleza superava a das ruínas de Cornéia. O prêmio perfeito para a deusa perfeita.
Fui até apreciar a beleza de algo tão raro e divino. Mas num pântano vazio e morto, talvez seja que os deuses quiseram reviver o lugar; eu digo que querem fazer algo maior...



Esdras Lacerda

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Devolução

   Estava à espera do início de uma aula na faculdade, sentada em um banco, mergulhada na luz fria da manhã de uma terça feira - o meio da semana costuma ser assim, certo? Não, ela sabia que não. Todas as terças-feiras sentava naquele lugar tedioso e esperava; não a aula, mas ele. Sim, ele.

http://ryanlovelacephoto.deviantart.com/art/Eye-16973844
   Era inexplicável e inconsciente. Fernanda simplesmente sentia que havia um micro campo gravitacional que atraía seu olhar todas as vezes em que o via passar.

    Nunca trocaram palavras, nem um "Bom dia" sequer. Mas ele - seus cabelos negros, seus intensos olhos castanhos, tudo nele - a atraía. Ela apenas o via passar, caminhando de modo despretensioso como quem passa pelo limbo; como se o mundo - incluindo aquela espectadora ávida por um olhar que a correspondesse - não existisse. Eram apenas ele e seus passos.

  Várias terças vieram e terminaram. Os olhares,quase que suspirosos, de Fernada seguiam uma via de mão única, não havia retorno. Então, como de uma música que é configurada como toque de alarme no celular, ela cansou-se de olhar para ele. Já era hora! Afinal, por melhor que pareça a música, ela algum dia há de servir apenas como som ambiente.

  Muito tempo passara desde aqueles olhares (todos dela, nós sabemos). Sua vida estava atribulada, sua mente estava cansada, pois estava no final de mais um semestre. Naquela trincheira com estudantes e suas olheiras de um lado e professores e suas mil e uma ideias de como reprovar um aluno do outro.

   Ainda assim, Fernanda conseguiu ficar linda naquele dia, linda em sua praticidade (jeans e camiseta). Não era uma terça-feira, mas ela o viu. Ela não estava sentada em um banco, estava subindo a rua em direção à biblioteca, conversando com uma amiga enquanto ele vinha no sentido contrário. Fernanda o avistou ao longe, porém fingiu não tê-lo visto - aquele velho jogo, como sempre.

Aquela não era uma terça, não era sobre ele e seus passos. O limbo era apenas dela, poderia fazer o que quisesse. E o fez. Andando como se não houvesse nada além de seus passos, Fernanda foi de encontro a ele, percebendo que a distância diminuía a cada instante. Não, ela não o olhou diretamente em nenhum momento. Por que o faria?

   Continuou a conversar com sua amiga. Ele estava cada vez mais perto. Ela dava cada passo como se seus pés não tocassem o chão, pois sentia-se em paz consigo mesma. Mais alguns passos e ele já teria passado. Então, quando percebeu que estava perto o suficiente, Fernanda deixou seus olhos em uma linha de visão ampla; de forma que não o encarasse diretamente, mas pudesse vê-lo de soslaio.

  E o que viu foi delicioso! Não pôde dizer nada, mas sentiu-se recompensada. Foram apenas dois segundos, mas foram nítidos: dois intensos olhos castanhos estavam fixos em seus olhos esverdeados. Ela não tinha esperanças de que algo acontecesse entre os dois, mas a devolução de seus olhares dentro desses 2 segundos - mesmo com tanto tempo de atraso - a deixou em êxtase. Não tinha reclamações a fazer ao remetente.

Nathaly M.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Felicidade Clandestina - Clarice Lispector

Todo o amor que se pode ter por um livro descrito em um conto.
Esse é um aperitivo de Clarice especialmente para vocês.


  Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade". 

  Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

(Quase) Fazendo Compras

 Nunca havia percebido aquela loja antes, era estranha, peculiar: tinha uma fachada atraente (azul e branca), a porta era feita de vidro com bordas prateadas; acima da porta, uma placa de mármore branco trazia o nome: Felicidade. Resolveu entrar a fim de saber o que vendiam. Assim que entrou, um vendedor apareceu para atendê-la:
 - Bom dia! Seja bem vinda, vou ajudá-la a encontrar exatamente o que deseja.
  Totalmente aturdida e sem fôlego, ela se deixou levar por aquele vendedor. Enquanto andavam, ela o observava com curiosidade: tinha um porte elegante, cabelos escuros, olhos claros e expressivos, voz grave e máscula. Era difícil acreditar que alguém assim trabalhasse como um simples atendente.
 Voltou a atenção para os produtos, notou que não conseguia definir o tipo de produtos que a loja oferecia, mas gostava cada vez mais de estar lá. Olhando em volta, encontrou aquele vestido que procurava há semanas, viu também seu livro preferido, o qual nunca encontrava em nenhuma das livrarias. Então, pensou em testar o sujeito que lhe guiava:
 - Vocês têm aqui algum cd de Soul Music?
  - Claro, virando à esquerda a senhorita encontrará o melhor do gênero.
Era verdade, suas músicas preferidas estavam todas lá ao alcance das mãos. Cada vez mais surpresa, passava pelos corredores, observando as sessões anexas: sucesso pessoal, relacionamentos sólidos, amizades verdadeiras e tudo o que sempre desejou. Pensou até ter visto alguém há muito esquecido, mas achou absurdo demais para ser verdade. No entanto, à medida que encontrava o que queria, ficava infeliz, pois o dinheiro que possuía jamais seria suficiente para comprar tais coisas. Virou-se para o atendente e disse:
 - Olha, eu gostei muito dos produtos, mas não tenho dinheiro para comprá-los. Também estou atrasada para o trabalho, preciso ir.
O rapaz a olhou confuso e disse:
 - Mas você não precisa de dinheiro para obter esses produtos! Precisa apenas de força de vontade e auto-confiança.

Nathy M.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Felicidade (ou a falta dela)

O que te faz feliz? Pergunta difícil... Felicidade tem sido um sentimento tão ausente na minha vida. Acho que não posso falar do que me faz feliz e sim do que me fazia feliz. Lembra quando estávamos sentados no banco de uma praça? Você acariciava meus cabelos, me aconchegava; acho que aquele foi o auge.
Sempre imaginei um momento que me faria eternamente feliz: depois de nos amarmos, ficaríamos deitados, eu apoiaria minha cabeça em seu peito e fecharia meus olhos enquanto falávamos - não, não sobre amor - sobre banalidades, rindo como dois adolescentes. Se eu tivesse a certeza de que nunca mais nos veríamos, esse seria o momento que guardaria para todo o sempre.
É, eu sonho demais, eu sei; mas a realidade é tão dura e as incertezas e inseguranças ainda me atormentam. Acabo optando por pensar no que foi e no que poderia ter sido se eu tivesse mais maturidade na época. Por que eu tenho mesmo que fazer tantas escolhas agora? Logo agora que tudo parece tão nublado...
Eu não consigo, não sozinha. Preciso de alguém que me ouça, me entenda, me conforte... Ainda me sinto tão criança, daquelas que têm medo do escuro, mas se sentem seguras com o abraço da mãe. Por que não é simples como quando éramos pequenos? Ah! Como eu queria que a minha felicidade voltasse a morar em uma caixa de chocolates!
Nathy M.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Cry

Era apenas mais um dia cinzento na sua vida monótona. Nada havia mudado desde o turbulento relacionamento que acabara há três anos. A angústia e a solidão consumiam seus pensamentos dia após dia. Não quero dizer que ela fosse um tipo depressivo 24h por dia, longe disso; os amigos a adoravam como companhia, era divertida, agradável. Daí podemos ver como as máscaras são eficientes.
No entanto, bastava chegar em casa depois do curso para que a tristeza viesse à tona. Tomava um banho, vestia um camisão e sentava-se em frente à tv para assistir algum seriado que estivesse passando. Na verdade, não assistia; o som da tv era apenas um recurso que utilizava para sentir-se menos solitária.
Passava horas divagando sobre sua infelicidade. Pensava em como todos traçavam um rumo interessante para a vida, enquanto ela continuava do mesmo jeito: uma sucessão de fracassos. Estava cada vez mais certa de que se desaparecesse ninguém notaria.
Havia meses que não derramava uma lágrima, isto a sufocava. Mas, enquanto estava pensando, uma voz soou em sua mente: - Por que se reprime tanto? Chore, esvazie! Foi então que um rio de lágrimas desceu daqueles olhos claros, como se toda uma represa tivesse sucumbido à força da água.
Nathy M.

domingo, 17 de abril de 2011

Choice

Quando Clarice contou à sua mãe que o curso para o qual prestaria vestibular era Letras, esta reagiu agressivamente, pois sonhava em ter uma filha médica ou advogada. Nada mudaria a opinião de Marta a respeito da escolha da filha.
Discutiram longamente. De um lado, a menina argumentava que sempre tivera talento para a escrita e tinha grande afeição pelo curso, do outro, a mãe - com sua opinião mesquinha - disse que investira muito na educação da filha para que ela escolhesse uma carreira tão insignificante e incerta quanto a de escritora. Observação realmente ridícula!
O embate continou. Marta pressionava a moça, perguntando que outros cursos ela preferia, talvez algum outro que tivesse baixa concorrência e, conseqüentemente, tivesse maior facilidade para ingressar. Que estupidez! Clarice foi para seu quarto e o trancou, a ignorância da mulher que lhe deu a vida era insuportável, passou a noite chorando. Até quando esta adolescente ficará privada de sua liberdade de escolha?
A garota pediu que a tia conversasse com Marta para convencê-la de que o melhor era que ela trabalhasse com o que realmente gosta, pois não adianta ter uma profissão renomada sem estar feliz com o que faz. A mãe, finalmente, aceitou a decisão da filha. Ah! Como seria bom se todas as mães respeitassem a liberdade de escolha dos filhos.

Nathaly M.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tentando se segurar numa alça lilás

Entrou no elevador. 
A um canto, outra mulher segurava firme debaixo do braço uma enorme bolsa de couro lilás.
- Que ousadia, uma bolsa lilás - sorriu ela.
- Acabei de dizer a um homem que o amo - respondeu a outra. - Então entrei numa loja e, entre todas, escolhi esta bolsa. Eu precisava sentir nas mãos a minha audácia.
Não sorriu. Agarrou-se náufraga na alça.

Marina Colasanti

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Lacuna

O despertador tocou, ela se levantou da cama apressada, estava prestes a começar um dia daqueles. No banheiro, dezenas de cremes (anti-rugas, anti-celulite, adstringentes, etc), maquiagem e perfumes importados. Após uma ducha fria para despertar, iniciou sua rotina de tratamentos (pele, cabelo e rosto). Estava pronta, tomou seu café e partiu para enfrentar a reunião com os sócios da empresa.
Ser presidente de uma rede imobiliária não é fácil, principalmente quando acaba de herdá-la do pai. Tudo precisava dar certo, os acionistas precisavam reconhecê-la como uma empresária bem preparada, não como a filha mimada do ex-presidente. Sem perder a calma, Samanta expôs todos os seus projetos para o futuro do empreendimento. Os acionistas aplaudiram de pé, boquiabertos, afinal os anos que ela passara no internato em Paris valeram a pena.
Chegar em casa e tirar seu scarpin foi, simplesmente, apoteótico. A vista da praia nunca fora tão reconfortante. Em companhia de um bom vinho e de um exemplar de Madame Bovary, Samanta recostou-se no sofá e pensou: "Empresária de sucesso, milionária, conhecedora de vinhos e de livros, porém um completo fracasso no amor. Nunca se é plenamente feliz".


Nathy M.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O suficiente

Há uma coisa interessante sobre meus contos: eu só escrevo quando tenho desilusões, é daí que vem minha inspiração. Nunca consegui fazer um texto otimista, tipo livro de auto-ajuda, daqueles que dizem: "Pense positivo e as coisas boas acontecerão a você". O que eu acho uma grande bobagem, não há pensamento positivo que cure a dor que você sente ao ouvir palavras ásperas. O que pode amenizar a dor é ficar sozinho, ouvir um som que te agrade e chorar, chorar muito, até sentir a dor passar.

É nesses momentos que eu penso como seria bom voltar a ser criança, não se preocupar com o que a vida pode ser, ficar extremamente feliz com um doce, permanecer inerte ao estresse do mundo adulto. Uma pena que não seja tão simples.

Você cresce, ama, se decepciona, se recupera, mas permanece vazia. E como se tudo isso não bastasse, tem que assumir responsabilidades, escolher o que vai fazer nos anos que te restam. Os pais ainda controlam a tua vida e isso te deixa frustrada. E se eu não conseguir? O que vai acontecer? Eu vou ser a fracassada da família? Nada mais te importa além de provar que consegue, que pode ser o que esperam e muito mais. Que perda de tempo!

De que adianta tentar agradá-los? Um dia eles vão embora e nada mais fará sentido, você acabará tocando a vida sozinha, buscando outro objetivo para vencer.

Quando você ouve que é uma grande decepção para alguém, não há nada que te faça pensar que não é a pessoa mais inútil do mundo. Mas realmente inútil é ligar para a opinião de alguém que nunca te deu uma frase de apoio, mesmo que fosse uma daquelas de auto-ajuda.

Aprenda que, na vida, as decepções sempre vão aparecer, não existe antídoto. Receba-as de cabeça erguida, não devore livros de auto-ajuda, só servem para te deprimir ainda mais. Faça o que você gosta, independente do que os outros pensem. Compre aquele chocolate que você ama e devore-o assistindo um seriado bem sarcástico (recomendo House, The Big Bang Theory), nada de filmes melosos, são incapazes de te dar um sorriso. A decepção não vai te matar, nem te fazer ficar mais viva. Um dia, uma hora, um mês, ou qualquer marcação cronológica, a decepção passa e tudo flui naturalmente. Você só precisa saber que é o suficiente para ser o que realmente precisa e nada mais importa.

Nathaly M.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Confesso que tive medo

A noite estava escura, o vento balançava-me o cabelo. Há tempos não retornava aquele lugar. Tantos acontecimentos tinham se passado desde o acidente, nunca pensei que poderia ver aquele lugar novamente. Dois anos atrás, meu noivo e eu viajamos, algo como uma pré-lua de mel. Estávamos felizes, mal podíamos esperar para chegar no hotel no qual passaríamos horas inesquecíveis. Naquela noite chovia muito e mal conseguíamos ver a estrada. Então, de repente, um caminhão surgiu e, antes que pudéssemos fazer alguma coisa, o carro capotou, só eu sobrevivi.

Depois de todo esse tempo, eu retornei ao local mais triste da minha vida. Foi quando ouvi uma voz familiar que dizia: "Laura, é você?", eu estava paralisada de medo, aquela voz era a do meu noivo, que morrera há dois anos.
Alguns segundos depois, consegui balbuciar alguma palavras: "Jorge, você não devia estar aqui, você está morto!", ele me respondeu: "Há dois anos espero a sua volta, estive preso todo esse tempo, pois tinha uma pendência com você.", eu disse: "O que poderia estar pendente?", então sua imagem tremulou ao dizer: "No tempo em que estivemos juntos nunca disse o que sentia por você, planejava dizer quando chegássemos ao hotel. Finalmente você está aqui e eu posso dizer, eu te amo.", nesse instante ele desapareceu em meio a névoa. Confesso que tive medo.

Nathaly M.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Insubstituível

Chega um dia em que você fica cansada. Cansada de pensar em alguém, de tentar esquecê-lo, de ouvir canções, de perder noites de sono ao relembrar momentos. Nesse dia você descobre que não adianta tentar tirar aquela pessoa da cabeça, pois você permitiu que ela ficasse lá.
Então, você começa a procurar em outro alguém alguma coisa que te faça lembrar dele, mas não encontra. E, quando você o reencontra e sente toda a emoção que sentiu ao vê-lo pela primeira vez, percebe que um amor de verdade nunca é esquecido.
A esperança de esquecê-lo nunca cessa, lembrá-lo todos os dias é doloroso, mas não pode ser evitado porque se tornou involuntário.
Você precisa dele como uma criança precisa do brinquedo favorito e não há substitutos para ele em sua vida.
A luta continua e, com ou sem ele, você deve seguir em frente.

Nathy M.

domingo, 11 de julho de 2010

Contos de fada

Olha... Eu ainda não sei o que pretendo conseguir ao escrever estas cartas, às vezes melancólicas, às vezes apaixonadas, às vezes cheias de rancor, sei que não adianta, pois nunca chegam ao seu destino. Talvez um dia eu crie coragem e mostre a você. Imagino sua reação ao ver que foi depreciado e elogiado muitas vezes, algumas até no mesmo texto. Também ainda não sei porque continuo alimentando este sentimento inútil por você, já que há vários motivos para que eu te esqueça. Um deles é que há milhares de quilômetros nos separando a maior parte do tempo, outro é que tenho quase certeza de que não seria feliz ao seu lado. Talvez seja por um tempo e, depois, você se tornaria o idiota que continua me fazendo sofrer.
A que ponto chegamos? Recentemente, soube que você gosta realmente de mim, mas, infelizmente, não demonstra, como você é previsível, aposto que queria que eu soubesse por outra pessoa, deve estar tentando me iludir como sempre...
Eu cheguei ao extremo de tentar te esquecer e dizer que dessa vez não sofrerei, mas não adianta, pois esta espera por você já é o sofrimento máximo.
Eu sei que jamais te esquecerei e que você só me deixará em paz quando eu te mandar embora, o problema é que eu nunca vou querer te mandar embora. Pela minha vontade você ficaria para sempre ao meu lado, é uma pena que nem tudo possa ser como desejamos.
Só me resta aproveitar enquanto posso estar envolta em teus braços quentes, me sinto tão segura ao teu lado, mesmo sabendo que, no nosso conto de fadas, você é o vilão. Mas o que importa! Todas sabem que os vilões são mais interessantes que os príncipes.

Nathy M

sábado, 19 de junho de 2010

Devaneios Oníricos

Sinto que estou levitando, parece que acabo de entrar no interstício dos dois mundos. Esse interstício me agrada, não é deprimente como o mundo real e, também, não é sem vida como o "dos mortos".
Tudo ficou branco, começo a materializar meus desejos nessa página em branco. Nela, você aparece, na mais perfeita projeção de sentimentos. É ótimo poder comandar seus atos, afinal, você está no meu mundo, e aqui, eu dito as regras.
Finalmente eu ouvi o que sempre quis de você. Na verdade, eu já tinha escutado, mas sabia que não era sincero, só quatro palavras e um leve toque de honestidade. Ah! Nunca me senti tão feliz...
O amor que fizemos nesse lugar irreal foi intenso, sincero, apoteótico e eu tinha certeza que jamais aconteceria novamente. Nos unimos com tanta força que nos tornamos um, e esse um era de puro prazer.
      - Maldito alarme! Despertou-me do sonho mais lindo.
Tenho que trabalhar agora, mas o que aconteceu vai ficar para sempre comigo. O mundo real é tão medíocre. Queria que na realidade você fosse como o "eu" do sonho, pois nesse mundinho hipócrita você não passa de um idiota.

Nathy M.

domingo, 13 de junho de 2010

Pessoa certa

Pensando bem em tudo o que a gente vê e vivencia
e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente.
Existe uma pessoa que se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa faz tudo certinho!
Chega na hora certa, fala as coisas certas,
faz as coisas certas, mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça, perder a hora, morrer de amor...
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
que é pra na hora que vocês se encontrarem
a entrega ser muito mais verdadeira.
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas.
Essa pessoa vai tirar seu sono.
Essa pessoa talvez te magoe e depois te enche de mimos pedindo seu perdão.
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você.
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo,
porque a vida não é certa.
Nada aqui é certo!
O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo,
querendo,conseguindo...
E só assim, é possível chegar àquele momento do dia em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo"
Quando na verdade, tudo o que Ele quer é que a gente encontre a pessoa errada pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra
gente...
Luis Fernando Veríssimo

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Noite de culpa

   Verônica estava em seu carro a mais de 100 km/h, andava sem rumo e desnorteada, precisava ir para longe. As marcas da dor estavam claras em seu rosto. A silenciosa madrugada a fazia sentir-se cada vez mais desesperada. Resolveu parar e pensar sobre os motivos que seu grande amor teria para cometer suicídio. Ao pisar no freio, percebe algo estranho poucos metros a frente, ao aproximar-se muda completamente de feição: "Você?".
    Ela não acreditou no que vira: o corpo de seu marido jogado na estrada. De repente, o cadáver, antes inerte, começa a mover-se na sua direção. A mulher estava paralisada pelo medo. Então, seu cônjuge começa a falar: "Por que você fez isso comigo? Eu te amava tanto". Sem reação, diante da única pessoa capaz de julgá-la, ela sabia que fugir não era a melhor opção, o único modo de desfazer-se daquela situação era conversar com o falecido: "Roberto, a culpa não foi sua, eu não suportava mais aquela rotina, aquele mar de tédio em que vivíamos.
   O cadáver, tomado pela ira, diz suas últimas palavras: "Eu não merecia o que você me fez. Mas quero que você saiba que, toda vez que seus olhos se voltarem para aquele homem, a minha imagem aparecerá em sua mente e a culpa a atormentará para sempre". Após amaldiçoá-la, Roberto desapareceu em meio à névoa. Desde esse dia Verônica não mais teve paz ao lado de Alberto.

Nathy M.