sexta-feira, 6 de julho de 2012

Lucille - B.B. King



"I used to sing spirituals and I thought that this was
the thing that I wanted to do. But somehow or other
when I went in the army I picked up on Lucille, and
started singing blues".

B.B. King

sábado, 30 de junho de 2012

Rumour has it - Adele



terça-feira, 29 de maio de 2012

Sou mulher, sou livre!

O conto original de Chapeuzinho Vermelho induz a história de um abuso sexual. Uma garota devorada na cama por um lobo. Nesse caso, o conto era usado para ensinar as meninas a não andarem sozinhas e tomarem cuidado com os lobos à espreita. Mais de 200 anos depois, as garotas continuam recebendo advertências para tomarem cuidado por onde andam e com o que vestem, para não chamarem a atenção dos ‘lobos’, enquanto que os garotos são incentivados a se portarem como garanhões.
Na história infantil, só outro homem (o caçador) é capaz de salvar a Chapeuzinho, reproduzindo uma visão patriarcal de mundo.
Chega de ensinar as meninas a não serem violentadas, vamos ensinar aos meninos a não violentarem!


Apoio à Marcha das Vadias que ocorreu dia 26 de Maio.

domingo, 27 de maio de 2012

Come Together - The Beatles


 

"He wear no shoeshine, he got Toe-Jam football
He got monkey finger, he shoot Coca-Cola
He say 'I know you, you know me'
One thing I can tell you is you got to be free
Come together right now over me".

The Beatles

quarta-feira, 23 de maio de 2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Borboletas e Pinups

Vanilla tree



Conversa entre o céu e um mendigo

Um mendigo dormia nos degraus da igreja, tinhas os olhos fitos no céu.

"O céu fitava-o também, impassível como ele, mas sem as rugas do mendigo, nem os sapatos rotos, nem os andrajos, um céu claro, estrelado, sossegado, olímpico, tal qual presidiu às bodas de Jacó e ao suicídio de Lucrécia. Olhavam-se numa espécie de jogo do siso, com certo ar de majestades rivais e tranquilas, sem arrogância nem baixeza, como se o mendigo dissesse ao céu:

- Afinal não me hás de cair em cima.


E o céu:- Nem tu me hás de escalar".


Machado de Assis
em "Quincas Borba".
Adaptado.

The Concubine - Beirut

 

 Um som bem Indie/Folk com a Banda Beirut.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Quem mexeu no meu conto de fadas?

Texto da Luiza!

O príncipe encantado caiu do cavalo. Se sujou na lama e saiu andando assim mesmo: sujo e machucado. Deixou o cavalo pra trás e saiu pisando forte. “Quem quiser ser princesa agora vai ter que andar atrás de mim”, esbravejou e foi andando sem olhar pra trás. Não sei se foi a queda e nem sei quem ou o quê fez esse príncipe cair, só sei que agora é assim: príncipe não é mais uma belezinha de pele lisa e cabelo penteado.

Não sei o que os belezinhas de cabelo penteado passaram a ser, mas vou te contar que na verdade eu não ando dando muita bola pra eles pra poder te dar essa informação. Ando olhando pra onde não devia. Pra essa camiseta vermelha e suja de lama que me faz esquecer do que mamãe ensinou. Não, não tô vendo a namorada do lado dele – se ele mesmo não olha, não sou eu que tenho que fazer. Ele é o cara que não serve pro futuro, mas o futuro anda tão chato que eu prefiro ficar com esse presente absurdo. Errado, é o que ele é.  Eu sei lá qual é a lógica psicológica dessa minha nova monarquia, só sei que tá tudo errado.

Onde é que já se viu príncipe encantado que faz perder o juízo, que faz meu sono ir à loucura e que dá aquele frio na barriga na hora de apresentar ou de contar pros amigos? Não era pra ser encantado? Não era pra sempre abrir a porta do carro, pra dar flores e pra ser perfeito? Cadê a perfeição dessa vida injusta de princesa?

Eu não sei. Tá tudo muito estranho e, se a fada fugiu dos contos, ela ta bem longe de voltar. Então eu aproveito a ausência pra pedir pra quem ficou tomando conta: deixem os nossos príncipes fora dos seus devidos lugares. Não precisa espalhar, mas eles são bem melhores assim. O encanto perdeu o açúcar e ficou difícil de enjoar.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Pensando em nós dois - Seu Jorge e Ivete


"Basta olhar pra você pra minha boca querer um beijo bis..." 

Abstrato e notável animando o seu dia! ;)

domingo, 1 de abril de 2012

Millôr Fernandes R.I.P.: perdemos mais uma grande pessoa

O Brasil perdeu, na última terça-feira, uma de suas vozes mais críticas e independentes. O brilhante, multitalentoso e bem-humorado Millôr Fernandes nos deixou, aos 88 anos.


 
"As pessoas morrem quando você as apaga da sua memória".
Millôr Fernades

Infantilidade

Por André Dahmer

One is the loneliest number

 Texto da Adorável Psicótica: Natália Klein.


Eu sei que deveria ser mais grata por tudo que a vida tem me dado, mas quer saber? A vida é uma cadela manca e raivosa. E se eu consegui alguma coisa até hoje foi porque tive que brigar muito pra tirar o naco de carne dos dentes dela.
Eu não estou feliz. Mentira. Estar parte do pressuposto de que algum dia eu já estive. E nunca houve esse dia. Pelo menos não um dia inteiro. Talvez algumas poucas horas. Mas como vocês já sabem, a vida é uma cadela.

Amanhã eu faço vinte e sete anos, estou atulhada de trabalho até o pescoço e sem absolutamente nenhuma vontade de comemorar. O que eu realmente queria fazer amanhã? Me teletransportar para um lugar bem longe, onde as pessoas saem na rua usando chapéu. Sem ser o México, tá? Eu ficaria ridícula de sombrero. Ou qualquer lugar sob o domínio do Taliban. Eles não têm muito senso estético para o design de chapéus. Vamos nos restringir aos países da Europa. A parte cinematográfica e chique da Europa.
Eu iria a Paris agora, não fosse pelo pequeno inconveniente de ter cinco projetos em andamento. Eu tenho cinco malditos projetos em andamento e nenhum convite para sair no fim de semana. Cinco raios de projetos em andamento e nenhum homem na minha cama.

Não me levem a mal, eu sei que minha cama é super frequentável. Eu sou super frequentável. O problema é esse resquício de crença que eu tenho nessa porcaria de - eu não acredito que vou dizer isso - amor. É um saco ter que admitir, mas eu espero encontrar alguém.
E quem é alguém? Alguém é uma entidade mitológica, que costuma aparecer algumas - poucas - vezes na vida de cada ser humano. Alguém pode estar em qualquer lugar, onde você menos imagina, inclusive aí do seu lado. Mas não adianta procurar muito, porque reza a lenda que alguém só aparece quando você menos espera. As histórias são muitas. Ouvi dizer que se você gritar "alguém" três vezes na frente do espelho, ele aparece e se casa com a sua melhor amiga.

Mas mesmo sabendo que essa pessoa mitológica não existe, eu me recuso a desapegar do conceito. Porque, apesar daquilo que eu finjo ser na maior parte do tempo, apesar do discurso cínico que eu costumo dar sobre a impossibilidade dos relacionamentos, eu continuo com os dedos cruzados, torcendo pelo dia em que alguém vai aparecer e me provar que eu estava errada.

Amanhã eu faço vinte e sete anos e tenho cinco projetos em andamento. São bons números, eu deveria querer comemorar. Mas a vida é uma cadela. E eu não estou feliz. Porque quando eu fecho os olhos e imagino o futuro, eu vejo a França, vejo chapéus, vejo projetos em andamento e quem sabe algumas horas felizes. Mas também vejo um número solitário que irá me acompanhar ao longo dos fins de semana, da mesa do restaurante até a minha cama.

Paciência. Talvez alguém seja ocupado demais para aparecer na vida de todos.

sábado, 31 de março de 2012

A afetividade torta

 Texto da psicótica Natália Klein


Acho que o maior problema dos relacionamentos contemporâneos é da ordem gastronômica. Da forma como eu vejo - e talvez esteja influenciada pela fome da madrugada - as pessoas são como grandes tortas de sabores variados. Algumas a gente bate o olho e já sabe que vai gostar, às vezes só pelo cheiro. Outras vezes, a gente segue a intuição e só depois descobre que é alérgico a nozes, ou pior, que a torta em questão curte sertanejo universitário.

Mas, ao contrário do que você possa estar pensando, o problema dos relacionamentos contemporâneos não reside no fato de que somos tortas gigantes. Tortas são bonitas e gostosas, na grande maioria das vezes - exceto nas festas de aniversário em escritórios no centro da cidade. A tristeza da coisa está na constatação de que estamos vivendo uma espécie de comidaaquilorização da afetividade. Isso significa que, devido a alta oferta de tortas no mercado, ninguém consegue se focar em apenas um sabor.

WWF Brasil - Hora do Planeta já começou no mundo

WWF Brasil - Hora do Planeta já começou no mundo

sábado, 17 de março de 2012

Felicidade, tomates podres e Tom Jobim

Da psicótica Natália Klein.

Nós somos claramente responsáveis pelas consequências das nossas atitudes. Como há duas semanas, quando me dei conta de que tinha guardado a conta de luz de dezembro e esquecido de pagar. Foram três horas vivendo na Era pré-Thomas Edison, em um dia cheio de textos deixados para a última hora.

Nós também somos responsáveis pelo que dizemos - e pelo que deixamos de dizer. Sou pentacampeã mundial na categoria falar coisas horríveis sem pensar. E, na maioria das vezes, o arrependimento vem durante o vômito de palavras inconsequentes, raramente acompanhado de um pedido de desculpas. Porque sou hexacampeã em orgulho idiota.
 
Nós somos responsáveis - ou pelo menos tentamos ser responsáveis - por uma lista infindável de obrigações morais. Não conseguimos nem nos livrar daqueles que cativamos. Como decretou Saint-Exupéry em "O Pequeno Príncipe", somos eternamente responsáveis por essa gente. E eu sei bem disso, pois não suporto a ideia de que exista alguém no mundo que não goste de mim.
A justificativa para todas essas responsabilidades, incluindo a de ficar magra, bem vestida, ter um emprego apaixonante e uma pessoa incrível para amar e ser amado, é chegar a algo próximo do que se considera "felicidade".
 
Mas será que, assim como nossas contas para pagar, nós somos os únicos responsáveis por nossa própria felicidade?
 

Como as mulheres encaram o fim do relacionamento

 Texto das Malvadas

Mulheres e suas complicações amorosas. Por que é tão difícil recomeçar a vida depois do término de um relacionamento? Se foi ele que deu o pé na bunda então… Aí, meu amigo, é caso pra especialista tratar.

Por mais que ele diga que não gosta mais dela, e que está com outras prioridades no momento, a bichinha se tortura e se agarra na esperança que ele mude de ideia e volte amá-la intensamente.
Nisso, ela passa horas e horas olhando para o celular esperando algum sinal de vida. Abre os contatos e fica olhando o nome do sujeito. Quando tem tempo, relê todas as mensagens que já foram trocadas. Só as boas, claro. As que não interessam foram deletadas imediatamente.

Mulher quer se sentir amada por quem quer que seja e, quase sempre, por alguém que não lhe merece. Ela põe na cabeça que o indivíduo é o único que a fará feliz. Que engano, minha amiga. A única pessoa que pode te fazer feliz é você mesma!

Por mais que seja difícil encarar a realidade a mulher sabe que no momento em que ele partiu, jamais voltaria. E quando finalmente se dá conta disso só fica o questionamento de porque se deixou iludir tanto…
A partir daí, começa a fase de aceitação em que ela começa a agir estranhamente e analisa se realmente o ama. No começo fica meio receosa e incomodada por não o amar mais, mas definitivamente sabe que precisa encontrar alguém ‘melhor’. Nesse momento, fica extremamente feliz. Lembra de todas as brigas, discussões e cíumes e se sente livre. Sente um arrependimento de ter sofrido tanto.

É contraditório (e como não seria?), mas ela fica com raiva de si mesma por acreditar que, em algum momento, não poderia ser capaz de viver sem ele. Mal sabe ela, que sem ele, ela pode fortalecer a sua força, seu desejo pelo o que quer e, porque não, amar intensamente.

Num último ato, a mulher não se importa mais. Ela só quer que ele viva a sua vida da maneira que achar melhor. Ele a segurou, mas não por muito tempo. Ou por tempo demais, não se pode saber. A torturou, mas não para sempre. Ela voltou a sorrir e finalmente está livre.

sábado, 10 de março de 2012

Beautiful Dangerous (Slash feat. Fergie)

   
I don't know who you are now 
Mystery drenches my brain

Mulheres machistas

Texto mais que perfeito do Léo Luz

Pode parecer anacrônico, irreal, pode soar tão estanho quanto um canibal vegetariano ou um torcedor do Flamengo alfabetizado. Parece, mas não é, já dizia o Denorex. Mas, como uma mulher pode ser machista? Simples: repetindo discursos machistas de homens machistas. Voilá!
Quando uma mulher diz que outra mulher que fala abertamente sobre sexo, por exemplo, é uma vagabunda e não merece ser levada a sério, ela está repedindo o discurso machista de que homens podem falar sacanagem, mulheres não. Quando uma mulher chama outra de “vagabunda” por fazer sexo com quem ela quiser, ela esta novamente sendo machista, defendendo que homens podem ter vários parceiros, mas as mulheres não.
Mas por que isso acontece? Bom, dentro da minha detalhadíssima pesquisa científica de uma hora de observação no Twitter, percebi que esta atitude é típica de dois tipos de mulheres: as que costumavam ser de um jeito e hoje criticam aquele comportamento, e as que gostariam de ser daquele jeito, mas não tem coragem. Então, como elas não conseguem repetir aquele comportamento por algum motivo, elas o criticam. É a velha história do sujeito feio que diz que não liga para beleza nas mulheres, ou do magricelas que acha artes marciais brutas demais.
Aí, se você parar pra pensar, as mulheres machistas repetem um comportamento errado dos homens – o de serem machistas – e vivem a partir disso. Se não houvesse o julgamento da sociedade, elas não agiriam assim. Logo, o que podemos concluir com isso, amigos? Que, na maioria dos casos, as mulheres machistas querem somente uma coisa: serem aceitas em seu comportamento, e serem vistas como “modelos” de mulher aos olhos dos homens. O grande problema é que enquanto elas estão em casa, sendo mulheres boazinhas como manda a moral e os bons costumes, ela corre o sério risco de o marido ou namorado dela estar se engalfinhando com alguma daquelas mulheres que elas criticam. É a velha história: jogar tinta marrom no gramado do vizinho não vai fazer o seu gramado ser mais verde.

terça-feira, 6 de março de 2012

Romance à moda moderna



Ele não é nada romântico. Nunca falou eu te amo de sopetão. Jamais fez planos impossíveis. Jurar amor eterno então, hunpf.

No início eu achava que era apenas timidez e me consolei com essa desculpa, criada por mim mesma. E a ausência de romantismo não me desiludia. Apenas fazia pensar que era uma espera, que seria devidamente compensada com o tempo. Se ele dizia que eu estava bonita, agradecia, mas ficava esperando um é a mais linda que já conheci. Se ele sorria, aguardava um abraço desses de cansar de ficar na ponta dos pés.

Esperava o romantismo se manifestar e perdia todas as demonstrações mais sinceras de afeto. Idealizar o amor foi um desperdício de tempo. Queria ouvir declarações prontas, promessas absurdas, frases dignas de fim de filme. Esperava refrões de músicas, versos únicos. E querendo tanto, a frustração só era maior.

Queria exageros ditos de um jeito bonito, que parecessem exclusivos. Durante meses, ele dizia verdades e eu buscava clichês. Não entendia que o amor também estava escondido em silêncios e olhares inocentes. Em palavras comuns, sem lágrimas, comoção excessiva, sem Almodóvar.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Apresentando: Adélia Prado

Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado